terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Incidência e mortalidade por AVC estão a diminuir em Portugal


A incidência e mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) estão a diminuir em Portugal, mas os resultados poderiam ser melhores se a população acatasse as recomendações dos especialistas, disse esta terça-feira à agência Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa do AVC.

“Onde falha é na população. Estamos fartos de ensinar os factores de risco, corrigem-nos mal. Estamos fartos de ensinar os principais sinais de AVC, desprezam-nos. Estamos fartos de dizer que é preciso chamar o 112 e exigir ser levado a um hospital que tenha unidade de AVC, e não o fazem”, lamentou Castro Lopes.

Em declarações à Lusa a propósito da 7.ª edição do Congresso Português do AVC, que começa na quinta-feira no Porto, Castro Lopes apelou à população para que participe numa sessão informativa gratuita sobre a doença que decorrerá sábado, à tarde, no Porto Palácio Hotel.

“Este é um problema de saúde pública. Daí termos decidido introduzir no congresso uma sessão informativa, gratuita e aberta à população em geral, que pretende transmitir de forma simples aspectos essenciais sobre o AVC”, referiu o neurologista.

Castro Lopes defende que “a população tem de ser ensinada” porque “é o público que nos está a encravar pela sua ignorância, por um pouco de desleixo e ouvidos pouco atentos. Não estão a atender à nossa mensagem”.

O presidente da Sociedade Portuguesa do AVC reconhece que Portugal está “razoavelmente servido” em termos de hospitais com unidades de AVC, mas disse recear que “as medidas economicistas” possam prejudicar o seu funcionamento.

“É preciso cuidado para que as medidas economicistas não prejudiquem o funcionamento dessas unidades, que não fechem, nem se diminua a possibilidade de transporte de doentes”, sustentou.

Em seu entender, “o nosso país tem unidades de Bragança ao Algarve, tem uma cobertura muito razoável, se os meios de transportes não forem retirados do sítio onde estão, conseguimos dar uma resposta adequada aos doentes e, assim, termos menos mortes, menos cicatrizes e completas recuperações”.

“Tememo-las sempre [as restrições economicistas], ouvimos falar de retirar um helicóptero daqui, os bombeiros a queixarem-se que não têm meios para ajudar e outras situações. Estaremos atentos. Na Saúde a primeira palavra deve partir dos técnicos e a formatação legal deve pertencer aos políticos, em são diálogo com a Ciência”, frisou.

Promovido pela Sociedade Portuguesa do AVC, o congresso começa na quinta-feira com a participação de 800 profissionais de saúde e vai debater a evolução e incidência da doença em Portugal e o seu impacto na gestão do Serviço Nacional de Saúde. A sessão de abertura será presidida pelo bispo do Porto, Manuel Clemente.

De acordo com dados divulgados pela organização do encontro científico, o AVC é a principal causa de morte em Portugal e uma em cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida. Cerca de 30% das pessoas que têm um AVC morrem ao fim de um ano e metade dos sobreviventes ficam com algum tipo de incapacidade.

Fonte: rcmpharma

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