quarta-feira, 8 de maio de 2013

Desidratação: Já bebeu água hoje?

A desidratação surge quando existe um défice de água no corpo, e em certos casos pode ser fatal. Como o risco aumenta com o calor, mesmo sem sede, beba água. Abundantemente...

Sabemos que aproximadamente 70% do nosso corpo é composto de água, que se distribui pelas células e pelo sangue, numa relação essencial à vida. O sangue contém apenas 8% da água total, mas trata-se de um peso que deve ser constante para que o organismo funcione bem. Os restantes 92% funcionam como reserva, numa dupla função: absorver a água em excesso no sangue ou a de lhe fornecer água se estiver em falta.

A água entra no corpo humano através do sistema digestivo, sendo excretada sob a forma de urina, através da transpiração (pele), respiração (pulmões) e até nas fezes. Diariamente, podemos perder vários litros de água, mas situações provocadas por calor, esforço intenso ou afecções digestivas (diarreia e vómitos) potenciam a perda de água.

O segredo está no equilíbrio. Uma pessoa saudável, com bom funcionamento renal e que não transpire excessivamente deverá ingerir, no mínimo, um litro de água por dia para compensar as perdas. A média recomendada de ingestão de líquidos diária deverá rondar 1,5 a 2 litros.

A ingestão adequada de água contribui para manter o volume sanguíneo e a concentração de sais minerais que, quando dissolvidos no sangue, ganham a designação de electrólitos. Quando os níveis de sais minerais sobem, sobretudo os do sódio, os rins retêm água de modo a diluir o sódio e o resultado é uma menor produção de urina e a sensação de sede. Pelo contrário, se os níveis descerem, os rins libertam mais água para restaurar o equilíbrio.

Ora, a desidratação é ameaçadora: a eliminação de água pelo organismo é maior do que a quantidade ingerida, com esta deficiência a provocar um aumento da concentração de sódio e outros sais no sangue. Nestes casos, o cérebro recebe os primeiros sinais e ordena beber mais líquidos para repor a água perdida. Se essa ordem não for convenientemente cumprida, a desidratação agrava-se, verificando-se um movimento da água desde o depósito entre as células até ao sangue. Esta é a forma natural de compensação, mas que é insuficiente se não houver aumento do fornecimento de líquidos. Os tecidos começam então a desidratar e as células encolhem e deixam de funcionar correctamente. As células cerebrais são das mais vulneráveis à desidratação.

Esta sensação do "corpo a secar" explica os principais sintomas da desidratação: boca seca, diminuição da quantidade de urina, menor produção de lágrimas, dores de cabeça, tonturas, fraqueza muscular, cansaço e, naturalmente, sede. À medida que o processo se agrava, os sintomas são acentuados e a sede torna-se intensa, a boca e as mucosas ficam extremamente secas, a urina é escassa e escura, o suor quase inexistente, a pele parece enrugada e perde elasticidade, os olhos ficam encovados, a pressão arterial baixa, os batimentos cardíacos aceleram, surgem estados febris, irritabilidade e, em casos mais sérios, podem ocorrer delírios e perda de consciência.

Muitas vezes, a desidratação pode acontecer sem que haja a sensação de que o organismo necessita de água (sede). Aliás, raramente as pessoas sentem sede, pelo que o melhor barómetro é aferir a quantidade e a cor da urina - pouca urina é um sinal de alarme, tal como um tom amarelo-torrado ou acastanhado. Quanto mais clara a urina, melhor.


Factores de risco

Há muitos factores que propiciam uma relação desequilibrada entre a água e os electrólitos, dando azo à desidratação. A ausência de sede é um deles, o que leva muitas pessoas a não beber água adequadamente.

A falta de tempo e limitações no acesso a água potável em abundância podem gerar esquecimento em beber o suficiente. Esta situação é frequente quando se viaja para regiões tropicais, porque muitos dos países não têm um saneamento básico eficiente e é recomendado não beber água corrente, mas apenas fervida ou engarrafada. Trata-se também de países onde a temperatura e a humidade são elevadas, contribuindo para aumentar a necessidade de líquidos - ora estes factores podem conjugar-se para aumentar a vulnerabilidade do organismo.

Calor e humidade são propulsores da transpiração, da mesma forma que a prática de exercício físico ou a febre, quando associada a diarreia e vómitos prolongados. Além de água, há uma perda excessiva de electrólitos, o que pode pôr em causa o correcto funcionamento dos órgãos.

Há situações típicas em que as pessoas podem sofrer de desidratação, mas há corpos mais vulneráveis que outros: é precisamente o caso das crianças e dos idosos, bem como de quem sofre de doenças crónicas. A diarreia, um problema comum na infância, é das principais causas de desidratação entre os mais jovens. Nos idosos, as alterações fisiológicas decorrentes do envelhecimento fazem com que sintam menos sede, tenham menor capacidade para reter a água e maior dificuldade perante mudanças de temperatura.

Por outro lado, alterações hormonais associadas à menopausa, o uso de determinados medicamentos e doenças crónicas, como a diabetes, ou outras patologias renais e o alcoolismo também podem contribuir para o défice de água.

As crianças e os idosos necessitam de cuidados reforçados em caso de desidratação. Aumentar a ingestão de água pode não ser suficiente, sobretudo se houver sintomas como diarreia persistente, vómitos prolongados, irritabilidade ou desorientação, sonolência ou letargia - será recomendável recorrer a um serviço de saúde. Já se a desidratação for ligeira, beber mais água pode ser suficiente, até porque repor a água perdida é sempre a primeira medida.
Como neste processo de reequilíbrio também se impõe a recolocação dos níveis acertados de sais minerais, pode ser necessário recorrer a uma solução de re-hidratação oral, sobretudo se houver diarreia, vómitos ou febre. Este tipo de solução contém sais minerais juntamente com glucose ou outro hidrato de carbono que facilita a absorção intestinal - atendendo ao risco específico de países menos desenvolvidos, estas soluções devem constar do "kit Farmácia" em determinadas viagens.
Nos casos mais graves, pode ser útil uma administração intravenosa de fluidos para a reposição do equilíbrio electrolítico no organismo.
Edema cerebral, convulsões, choque, falência renal, coma e morte são consequências possíveis de uma desidratação severa. É certo que são desenvolvimentos extremos, evitáveis com a adopção de hábitos saudáveis que permitam manter o equilíbrio da água no organismo.

Ingerir líquidos em abundância (água, chá, sumos, sopas, mas não bebidas cafeinadas) e consumir frutos e vegetais diariamente, pois são uma boa fonte de água, traduzem um comportamento responsável, da mesma forma que se deve procurar adaptar a quantidade de líquidos ao esforço despendido e às condições ambientais: mais calor e humidade requerem mais fluidos, o mesmo acontece em altitude e em espaços interiores aquecidos. Nunca se deve aguardar ter sede para beber água, porque quando ela surge é sinónimo de descompensação do organismo que acciona o alarme, através da sede. Há pessoas que nunca têm sede e até conseguiriam passar um dia inteiro sem beber água.

Simplesmente estariam em risco de desidratação.


O reverso da medalha

Um ponto de equilíbrio é sempre uma virtude. Água a mais é menos frequente, mas possível. Assim, a hiper-hidratação ocorre quando se ingere mais água do que a eliminada pelo organismo, provocando uma diluição excessiva dos electrólitos existentes no sangue. Mas o abuso de água não corresponde a uma hiper-hidratação numa pessoa saudável: seria mesmo preciso beber mais de sete litros e meio por dia, o que é bastante improvável.

O que está na origem do desequilíbrio é a incapacidade dos rins para expelir a água, em consequência, por exemplo, de uma doença renal, cardíaca ou hepática. Daí que as pessoas com estas patologias sejam aconselhadas a limitar a ingestão de água e o consumo de sal. De assinalar, ainda, que os reflexos da hiper-hidratação no plano cerebral podem provocar sintomas como a confusão mental,as convulsões e o coma.

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